você realmente precisa do que acredita que precisa? - Maria Fernanda Medina Guido

você realmente precisa do que acredita que precisa?

Semana passada estava arrumando alguns objetos na estante quando bati os olhos num livro e pensei: “eu comprei esse livro?” e em poucos segundos me lembrei que sim, ele veio na última caixa cheia de livros da Amazon que eu PRECISO ler. Senti um tiquinho de culpa por ter comprado um livro, empilhado o mesmo e nem me lembrar dele, porque aqui estamos falando de duas coisas importantes: gastar dinheiro em um livro que claramente não era prioritário e a quantidade de coisas que julgamos precisar para sermos felizes, estarmos prontos, nos sentirmos confortáveis, amparados, importantes, orgulhosos de nós mesmos.

Gostaria de dizer que esse livro perdido foi exceção mas não é verdade. Nos últimos meses isso aconteceu algumas vezes, com sapatos e roupas por exemplo. Abri o armário para pegar uma sandália e me dei conta que havia outra ali, nova, esperando ser usada, que honestamente eu nem me recordava de ter comprado. E depois foi um outro sapato e uma camiseta. Desde que assisti ao documentário Minimalism (disponível na Netflix), que mudou a minha forma de enxergar a minha relação com coisas, se você me segue há mais tempo ou me conhece pessoalmente sabe que eu gosto mesmo deste documentário rs e se você ainda não assistiu, assista. Ele serve como um bom sacode. Mas voltando, desde que assisti a primeira vez, e foram várias, tenho tentado estar mais consciente diante das armadilhas que nossa mente nos prega, que as redes sociais pregam, que o mercado prega. Essa ideia cruel de que sempre falta algo. Falta mais um livro a ser lido, mais dinheiro, mais viagens, mais sapatos, mais experiências, mais “gominhos” no abdômen, mais um curso a ser feito, mais um diploma a ser conquistado,mais, mais, mais… e assim, anestesiado, vamos nos transformando em pessoas angustiadas na busca por mais, vivendo em busca de bater metas e tentar diminuir uma lista de pendências que nunca cessa. Isso acontece contigo?

No livro Essencialismo, de Greg Mckeown, logo no início dele, o autor traz a seguinte questão: “você realmente precisa do que você acredita que precisa?” Você realmente PRECISA estudar mais, trocar seu carro, investir melhor seu tempo, se aventurar mais ou se resguardar mais e tantos outros exemplos que eu poderia passar o dia aqui escrevendo sobre eles. Agora, sobre a ótica de Greg Mckeow: Você REALMENTE PRECISA DO QUE ACREDITA QUE PRECISA? Ou são seus medos falando?

Medo de não ser bom o bastante, medo de ficar para trás, medo de perder, medo de ser julgado, medo de errar, medo de não dar conta… entre tantos outros. Quais medos tem guiado suas ações? Se eles não existissem, você continuaria fazendo o que você acredita que precisa fazer?

Talvez esse seja um bom norte. Tentar diminuir o barulho externo, se ouvir. Se você descobrir que precisa fazer ou ter tal coisa por razões que sejam plausíveis para você, tudo certo. Mas se você estiver sendo guiado por alguma insegurança, aí vale a pena ponderar, para não se tornar refém disso.

Isso não significa que não precisamos de mais nada. Só significa que talvez não precisemos entrar nessa busca desenfreada por mais e mais o tempo todo, porque isso além de dinheiro, custa seu bem mais precioso: tempo. É preciso parar para pensar quanto tempo você precisou despender para ter aquilo que está lá encostado ou fazer algo que nem te trouxe tanta satisfação assim. Precisamos nos lembrar que tempo, não é um recurso retornável e não teremos como reavê-lo, lá na frente.

Pensa nisso antes de finalizar mais uma compra ou se inscrever para mais um curso. 😉

 

Se você tiver interesse em assistir ao documentário Minimalism, segue o link:

https://www.netflix.com/title/80114460?s=a&trkid=13747225&t=wha

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