Sobre pedir e aceitar ajuda - Maria Fernanda Medina Guido

Sobre pedir e aceitar ajuda

Essa semana postei em minhas redes sociais um trechinho do episódio sobre Depressão que foi ao ar pelo canal GNT na Série Quebrando o Tabu onde o jornalista Pedro Bial falou sobre a dificuldade que algumas pessoas ainda tem em entender que não há nada de errado em tratar seus transtornos psíquicos.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) são aproximadamente 300 milhões de pessoas que sofrem Depressão no mundo. Aqui no Brasil, a estimativa é de 6% da população: 11,5 milhões de pessoas. O número de diagnosticados com Transtorno de Ansiedade chegam a 18,6 milhões em nosso país, o maior índice do planeta. Acontece 1 suicídio a cada 40 segundos no mundo e 1 a cada 45 minutos por aqui. São muitas pessoas sofrendo em grande parte calada, sem conseguir pedir ou aceitar ajuda.

A dificuldade em pedir ajuda acontece por uma série de fatores, mas principalmente porque as pessoas tem muita dificuldade em aceitar o novo, pois para elas isso implicaria em assumir que a forma como estão levando sua vida, lidando com suas questões talvez não seja a mais indicada. Envolve orgulho, vaidade, insegurança, medo de perder o controle. Pare para analisar quantas vezes você já deve ter caído nesta armadilha. Procuramos médicos mas não obedecemos suas prescrições porque 7 dias de repouso parece exagero. Contratamos arquitetos mas damos uma “alteradinha” no projeto porque a janela não ficou boa naquela parede, pedimos auxílio mas jamais seguimos qualquer sugestão dada, afinal “ela não tem filhos, não sabe o que fala”. Consegue se reconhecer? Pois é. Fazemos isso o tempo todo.

Sei que existem muitos profissionais que cometem equívocos e talvez mesmo sem ter cursado quase 10 anos de Medicina você perceba um sinal de alerta naquele diagnóstico. Não estou dizendo que devemos confiar cegamente e não questionarmos nada quando um tratamento parece duvidoso, por exemplo. Estou falando sobre dar o benefício da dúvida como se diz popularmente, porque quando você submerso na situação, envolto a muitas emoções como medo, raiva, sentindo muito ansiedade, insegurança ou até mesmo dores físicas, sua forma de pensar sofre avarias. Sua lucidez, o seu lado racional fica abalado sem o equilíbrio psicológico necessário para a tomada de decisões. Então, se você não entende de contabilidade, aceite as sugestões de seu contador. Se sua sogra aponta o que pode estar acontecendo com seu bebê e o apontamento parece sensato, viável, mesmo ela não sendo pediatra, teste, se permita. Se sua vida parece um ciclo vicioso onde as mesmas situações se repetem sem cessar, dê uma oportunidade para seu psicólogo te oferecer as ferramentas certas e com isso te ajudar a sair do lugar.

Aceitar ajuda não significa fraqueza. Significa entre tantas outras coisas que você decidiu tentar um outro caminho. Por que não? Pense nisso da próxima vez que resolver continuar neste “lugar seguro” mas que tem sido tão duro, frio, triste e com tantos percalços. Por que não tentar algo novo? Se permita fazer diferente, se dê o benefício da dúvida, deixe os profissionais cuidarem de você, da sua casa, dos seus negócios. Tenho certeza que você sabe bastante mas é impossível sabermos tudo sobre tudo. Aceite uma mãozinha.

Agora se você está neste momento convivendo com uma pessoa que não está bem mas ainda está tendo dificuldades em aceitar isso, o melhor que você pode fazer é apoiá-la, incentivá-la a buscar ajuda, incentivá-la a continuar se tratando caso ela já tenha procurado ajuda e esteja resistente, ouvi-la. Mesmo que você nunca tenha se sentido igual. E se você já tiver passado pela mesma experiência, estado neste lugar, divida, conte como se sentia, o que sentia, o que você fez por você. Muitas vezes o que o outro precisa é não se sentir sozinho, é perceber que ele não é o único em sua dor. Saber que alguém que é importante para ele está de verdade ao seu lado e não menospreza sua dor, seu momento, é muito importante. Não seja a mãe, pai, filho, namorada ou amigo que faz piada, que rechaça a dor do outro, que por não entender sobre o transtorno o diminui, que o incentiva a abandonar seus tratamentos por achar que ele já está bem. Dê uma mãozinha.

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